O que esperar do mercado de marketing pós-pandemia?

Embora o título deste artigo possa sugerir o contrário, preciso dizer que o texto não é para afirmar nada sobre o futuro, nem tão pouco cogitar o “novo normal” para a área de marketing. Inclusive, tá aí algo que não me agrada muito: o uso massivo dessa expressão acompanhado de previsões clichês.

Se a gente nem tem certeza sobre o fim da pandemia, quem dirá sobre o que vai acontecer depois que tudo passar.

Então, esse texto é para quê? Para tentar ajudar a pôr nossas ideias em ordem.

Nessa pandemia, eu já parei para pensar e repensar muita coisa e claro que esse pacote inclui algumas dúvidas sobre o futuro da minha área de atuação. Como eu sei que eu não estou sozinha nessa, resolvi organizar meus pensamentos e compartilhar com vocês.

Para ficarmos na mesma página, explico que quando falo de marketing, estou adotando o conceito que entende que essa área abrange diversos campos, como digital, publicidade, branding, design e correlatos.

O que muda na forma como as empresas enxergam e valorizam o marketing?

Pensando em mercado, eu acredito que hoje existam mais pessoas e empresas cientes da importância do digital. Afinal, abruptamente, negócios precisaram usar o on-line para manter suas operações, acompanhados por um processo de reinvenção.

Nesse processo de digitalização, o marketing é peça fundamental. É isso que me faz não perder as esperanças de que a área continua e continuará sendo relevante.

Uma pesquisa com CMOs de empresas de alguns países, divulgada pela Gartner, apontou alguns dados interessantes sobre os pensamentos que alguns líderes de marketing têm sobre o futuro. Trarei alguns deles para vocês:

  • 44% dos entrevistados esperam um corte de até 15% de investimento em marketing nos últimos anos. O que pode significar que profissionais precisarão aprender a fazer mais com menos;
  • embora a maioria das empresas tenha feito cortes bruscos assim que a pandemia começou, a expectativa é que esses cortes diminuam, à medida que a recuperação aconteça;
  • 74% dos entrevistados espera aumentar os gastos em publicidade digital e 66% em pesquisa paga.

Falando sobre digital, um estudo recente, realizado pela Socialbakers em todo o mundo, apontou um aumento de 26% nos investimentos das marcas em anúncios em mídias sociais no segundo triste de 2020 em relação ao período anterior.

Embora as pesquisas e previsões não nos sejam o suficientes para ter certeza do que nos aguarda daqui para frente, sempre digo o quanto é importante para qualquer profissional acompanhar tendências de consumo e, nesse cenário tão incerto, eu sugiro o acompanhamento de pesquisas e estudos de tendências de mercado, como a Gartner e McKinsey.

Falando especificamente sobre  o impacto do Covid-19 na maneira como as marcas estão conduzindo seus negócios, recomendo muito o site Covid Innovations, que mostra como as empresas estão inovando em meio à crise.

Mercado de vagas: será que piora o que já estava difícil?

Eu considero o nosso mercado difícil. Participo de inúmeros grupos de profissionais da área e é comum ver muitas queixas de quem já não aguenta os problemas relacionados a salários, job descriptions e todas as outras dificuldades que já discutimos aqui no blog.

Fica difícil afirmar se tudo isso será agravado nos próximos anos pós-pandemia, embora a gente tenha certa desconfiança pelo que foi visto até aqui.

De fato, tivemos uma queda no número de vagas da área nos primeiros meses de pandemia. Por acompanhar o mercado, pude perceber uma diminuição significativa no número de posições, até mesmo em São Paulo, um mercado superaquecido.

Entretanto, nesse mês de julho, já percebi um aumento no número de vagas em relação aos meses anteriores. Números que estão longe do ideal ou daquilo que tínhamos, mas que já apontam uma possível melhora.

Então, você está otimista quanto ao mercado de vagas em marketing em um futuro próximo, Tati? Não. Pessimista? Também não.

Mais em cima do muro impossível, não é? Mas em vez de ficar pensando sobre a quantidade de vagas que teremos nos próximos meses, coisas que absolutamente ninguém tem a capacidade de prever por enquanto, acho válido centramos nossas atenções em outros pontos. Explico sobre alguns deles nos próximos tópicos.

Teremos um cenário mais competitivo?

Sim! E não precisa fazer muita conta para se chegar a essa conclusão, certo? A área de marketing sempre foi bastante concorrida, com o aumento das demissões, suspensões de contrato e reduções de salários, a tendência é um aumento significativo nas candidaturas.

Sei que isso dá um desânimo e, justamente por isso, gostaria de deixar algumas dicas que podem ajudar quem está na busca por emprego.

Concentre seus esforços

Outro dia compartilhei, aqui no blog, uma vaga de gerência que tinha uma descrição super específica e que o Linkedin apontava mais 200 candidaturas, mesmo pouquíssimo tempo de publicação.

Honestamente, acho pouco provável que aquela vaga, que pedia experiência em um segmento novo e com tantas exigências, tenha tantos candidatos qualificados na cidade do Rio de Janeiro. Talvez, muitas pessoas se candidataram mesmo não estando dentro do perfil solicitado.

Isso não é novidade. Eu já ouvi de diversas pessoas algo mais ou menos assim: “tenho mandado diversos currículos e nem resposta eu tenho”.

De fato, há uma cultura corporativa de falta de feedback em processos seletivos. Não estou falando aqui que toda empresa deveria enviar um e-mail para cada candidato explicando todas as razões pela não aprovação, mas convenhamos que um retorno sobre o andamento do processo é bem-vindo.

Porém, na vida real, boa parte das empresas não costumam enviar retorno para as candidaturas não aderentes à vaga e esses candidatos ficam a ver navios.

Agora pensa comigo: se você manda 50 currículos por mês, mas apenas 10 deles são aderentes ao seu perfil, na prática, por quantos deles você espera resposta?

Se você consegue centralizar as expectativas apenas nas vagas que você tem chance, parabéns! Contudo, vejo muitas pessoas disparando currículos para todos os lados e depois se sentindo frustrados pela falta de retorno

Quem sou eu para dizer quantos currículos você deve mandar por dia, cada um sabe das suas reais necessidades e eu sei o que é precisar urgentemente de dinheiro. Porém, mesmo que você não esteja sendo remunerado, seu tempo é precioso e dez minutos enviando um e-mail para uma vaga não aderente podem ser mais proveitosos se empregados na preparação para uma entrevista, por exemplo.

Uma frase que li uma vez e que concordo demais é: procurar emprego é um emprego. Eu não acho que as coisas deveriam ser tão difíceis assim, mas, se possível, tente canalizar as suas energias naquilo que te dá mais retorno.

Sendo assim:

  • não perca o seu tempo mandando currículo para vagas que não existem. Infelizmente, há muitos sites falsos ou que apenas replicam vagas de outros portais para conseguir mais tráfego. Não perca seu tempo com isso. Aqui no blog, eu só compartilho vagas do LinkedIn (nem todas, aliás), Vagas.com, Trampos.co, Indeed, Facebook e das plataformas oficiais de recrutamento das empresas, como Gupy e Kenoby;
  • cuidado com o que “vai que cola”. Se a vaga é de gerente e você é um profissional júnior, dificilmente seu currículo será considerado;
  • concentre seu tempo não apenas procurando vagas, mas também se dedicando a outros pontos importantes, como escrever um e-mail de apresentação melhor, por exemplo.

Atente-se às novas formas de recrutamento

Tudo bem que o que vou dizer agora não é algo novo, mas pode ser novidade para muitas pessoas: as empresas estão constantemente procurando outras maneiras de recrutar, pois o método tradicional, na maioria das vezes, é muito trabalhoso devido ao alto número de candidaturas.

Para isso não há muito o que fazer, o jeito é dançar conforme a música. Por isso, é sempre bom lembrar que é importante deixar o seu perfil “encontrável”. Como as pessoas podem te encontrar hoje? LinkedIn? Portfólio? Isso é bem importante.

Mantenha seu perfil atualizado e otimizado no LinkedIn

Sempre! Eu sei que alguns problemas do In desanimam muitos profissionais (oi, fanfics, rs), mas a plataforma funciona. Farei um artigo no futuro sobre como otimizá-lo para profissionais de comunicação, mas existem ótimos materiais sobre o tema.

Gerar constantemente conteúdo na plataforma ajuda bastante a dar visibilidade, mas isso não é uma regra. Eu, por exemplo, ando paradinha por lá e mesmo assim já fui “achada” para oportunidades bem legais.

Sabe o que é curioso? É que a maioria desses convites são para vagas que sequer foram publicadas. Como eu disse, muitas empresas estão optando por novos caminhos.

Muitas empresas têm contratados profissionais de Talent Acquisition com a responsabilidade de encontrar profissionais de forma ativa e o LinkedIn é uma ferramenta que ajuda nesse sentido.

Tente pensar além das barreiras geográficas

O isolamento social tem feito muita empresa considerar o home office em definitivo ou, ao menos, o modelo híbrido. Pensando na primeira opção, isso significa um aumento nas possibilidades de vagas. Em vez de, por exemplo, você se candidatar para vagas apenas da sua cidade, você pode tentar oportunidades em qualquer lugar do mundo.

Obviamente, a concorrência é maior, mas caso você tenha aderência à vaga, não será a localidade um impeditivo para que a sua aplicação seja considerada.

Para mim, o melhor site para procurar vagas de trabalho remoto, dentro da área de marketing, é o Trampos.co. Além disso, existe uma maneira bem prática, que pode te ajudar também! Buscando no LinkedIn e filtrando por conteúdo! Veja como:

Forma 1:

como pesquisar vagas linkedin

Forma 2:

filtro vaga home office linkedin

Inclusive, essa dica pode ser considerada durante a sua busca por emprego no In. Como as empresas pagam para anunciar vagas de emprego, muitas pessoas preferem publicar oportunidades diretamente em suas timelines.

Corra para as montanhas

Essa expressão é usada para mais de um contexto, mas eu geralmente no sentido de quando alguém precisa fugir para um lugar mais seguro e eu acho completamente possível fazermos isso ao longo de nossas carreiras.

Quatro anos atrás, eu trabalhava como social media e estava um pouco desanimada com o rumo que a área estava tomando. Não apenas do ponto de vista do mercado, mas por questões do que desejava para a minha carreira.

Foi aí que resolvi partir para uma área mais específica, a produção de conteúdo com foco em SEO. Nem larguei o meu trabalho, apenas procurei um site com o tema que me interessava e me ofereci para escrever sobre o assunto e aprender um pouco mais

Desde então, tenho me especializado em produção de conteúdo e sinto que fiz a escolha certa. Se você está satisfeito com a sua área de atuação, seja por salário, mercado ou até mesmo por suas atividades. Se possível, corra para as montanhas.

Não estou falando aqui para mudar completamente de profissão — embora esse seja um caminho que funcione para muitas pessoas —, mas, talvez, a sua “fuga” seja o de atuação, tipo de empresa ou setor.

Marketing é uma área tão ampla e dinâmica, vai muito além dos cargos de sempre que conhecemos na faculdade. Constantemente, surgem novas posições de trabalho, que, por serem atuais, têm menos concorrência e podem ser mais valorizadas. Eu acredito veementemente que é possível tentar encontrar alternativas para seguir com a carreira. Uma delas é acompanhar as tendências do mercado.

Se você acha que esse caminho faz sentido para você, fiz um curadoria de conteúdo sobre algumas possibilidades dentro do marketing que considero interessantes e valorizadas. No texto, você vai encontrar um padlet, com um mini-guia para cada uma dessas profissões, com dicas para ingresso, artigos relacionados e referências do setor.

Criado com o Padlet

Alguns dessas profissões consideradas do futuro já existem há tempos, inclusive. Mas vale a pena avaliar esse compilado, quem sabe não tem uma “montanha” para você por lá. =)

Antes de você fechar a página, tenho um lembrete

Assim como as que dei aqui, existem dezenas de dicas profissionais que podem nos ajudar em nossa carreira. Sabe o que elas têm em comum? Nenhuma delas podem garantir sucesso a quem resolve aplica-las.

Embora seja comum ver pessoas compartilhando dicas infalíveis para absolutamente quase tudo nessa vida, fórmulas prontas não são garantia de sucesso, inclusive para o mercado de trabalho.

Então, mesmo que você aplique 100% dos melhores conselhos que você encontrar por aí, pode ser que as coisas não saiam como você planejou.

Vale ressaltar que estamos passando por uma crise sem precedentes. São raríssimas as profissões que não sofreram um baque com a quarentena. Por isso, levanto um ponto que há alguns anos considero importante e que talvez se torne ainda mais daqui para frente:

Nem sempre a culpa pelo nosso momento de carreira estar ruim deve ser atribuído a nós mesmos. Existem alguns fatores que nem sempre dependem exclusivamente da nossa força de vontade. O momento econômico no qual estamos inseridos é um exemplo.

Fora que a vida é um carrossel, não é? Hoje eu estou aqui, empregada, escrevendo esse texto e me arriscando a dar dicas, mas pode ser que daqui a dois meses eu precise voltar aqui para tentar seguir os meus próprios conselhos.

Espero mesmo que esse conteúdo ajude algumas pessoas. Fico por aqui antes que o texto vire de vez um motivacional-do-tipo-coach-quântico. Mas é isso!

Que saiamos dessa vivos e mentalmente fortalecidos! 🙂

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